Tabló[i]g - Teofilo Tostes



Quinta-feira, Julho 27, 2006

C o n s i d e r a ç õ e s   I n t e m p e s t i v a s 
s o b r e u m a V i t ó r i a


O que faz com que nos alegremos com uma conquista que, racionalmente, não é nossa?

Se o conceito de Estado-Nação, como argumenta Benedict Anderson em Imagined Communities: Reflections on the Origin and Spread of Nationalism, depende do desenvolvimento dos meios de comunicação (especificamente da imprensa) que integram diferentes falantes de uma mesma língua, que passam a se conceber uns aos outros como uma comunidade, uma comunidade imaginada, não é muito diferente o que acontece em relação a uma torcida de futebol. Uma relação identitária é erigida e passamos a nos comportar como se determinados eventos fossem intimamente ligados a nós, a todos quantos se integram nesta relação.

Ontem (26/07), o Flamengo "levantou poeira", venceu o Vasco por 1 x 0 e sagrou-se bicampeão da Copa do Brasil. É uma conquista que, diretamente, não tem relação real comigo. Mas estou muito satisfeito com essa vitória, como se minha fosse. Hoje, caso eu encontrasse o porteiro do prédio no qual morei no Rio de Janeiro, certamente eu ou ele diríamos: "nós ganhamos". A um vascaíno, diríamos: "vocês perderam". E tudo isso é uma relação imaginada, pois, em verdade, nem eu nem o Victor (o porteiro) estivemos lá no local do jogo (a relação é mediada por um meio de comunicação de massa, que nos integra) e, inda que estivéssemos lá, como torcedores, entre os milhares que estiveram no Maracanã, não poderíamos dizer, de fato, que nós ganhamos. Podemos dizer, ao acompanharmos a vitória do Flamengo sobre o Vasco, que vimos vencer o time de nossa predileção. Mas isso parece frio!

Efetivamente, sofremos se o time de nossa predileção perde, e nos alegramos, quando se dá a sua vitória. Por quê? A relação se torna apaixonada, como uma relação patriótica (a idéia de morrer pela pátria é tão estranha quanto esta que ora exponho).

Isto para mim se constitui um mistério. Por que é tão bom conquistar um título, ou antes, ver o time do Flamengo conquistar um título em cima do time do Vasco?

Enforque-se na corda da liberdade!

Copyright © by TEOFILO TOSTES (todos os direitos reservados) - 4:07 PM


Terça-feira, Julho 25, 2006

C o m o   n ã o   t e   a m a r ?
Imagem retirada de http://gothlife.weblogger.terra.com.br/


Como não te amar, se minha maior liberdade é estar preso em ti, a ti, nas celas e cancelas de teu coração, nas masmorras de tua alma, na tortura insana de teus dentes na minha carne, de teu cheiro no meu corpo, lacerando-me, unhando-me, sugando-me, mordendo-me até que eu morra de amor, num urro alto e sem fim? Como não te amar, se quero ler todos os teus textos: poemas e prosas? Como não te amar, se quero escrever minhas cartas de amor na tua pele, se quero grafar minha caligrafia em teu corpo, se quero marcar-te, indelevelmente, com meu ser? Como não te amar, se quero que sejas a minha rotina? Como não te amar, se é em tuas asas de manteiga que eu sei voar?

Enforque-se na corda da liberdade!

Copyright © by TEOFILO TOSTES (todos os direitos reservados) - 5:57 PM


P e r f i l

Eu, Teofilo Tostes Daniel (Theo para todos que quiserem), cheguei por aqui neste mundo no dia 22 de junho de 1979. Sou, assumidamente, do século passado, nascido no último ano dos lisérgicos anos 70.

Sou poeta há 16 anos. Escrevo desde os 11. Mas não me peçam pra ver escritos meus destas longínquas épocas, pois eles não existem mais. Minha obra acaba sendo o que sobrevive a mim. E muita coisa, asseguro, tem sobrevivido. Aos poucos, estou terminando meu terceiro livro de poemas, embora não tenha nenhum publicado ainda. Flerto com a prosa há algum tempo, o que faz incluir nos meus planos a escrita de um livro de contos, uns já escritos, outros ainda por vir.

Sou formado em produção editorial pela UFRJ e trabalho como assessor de comunicação na Procuradoria Regional da República em São Paulo. Tenho uma irmã linda, que é uma grande escritora: a Betinha (Roberta Tostes).

Minhas grandes paixões, além do ser humano, são suas criações artísticas e a história de suas idéias. Este ser complexo tem afinidades com a barbárie e com o sublime. No entanto, nada que é humano me escapa. E a compaixão, a partilha do passional, me aproxima de todos, bárbaros ou angélicos, embora nem a todos eu imite ou adote como modelo.

Embora seja poeta, a música é a minha maior forma de sentir o mundo. Simplesmente amo esta forma de arte, de todas a mais abstrata e a mais capacitada para traduzir a concretude do que sentem os homens.

(...)

A u t o - e n t r e v i s t a

Nome:
Teofilo Tostes Daniel.

Quando nasceu?
22 de junho de 1979, às 18:55, na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Câncer com lua em gêmeos e ascendente em capricórnio.

Acredita no zodíaco?
Não creio em bruxas, mas que elas existem...

O que faz?
Sou artista por vocação, curioso por natureza... O diletantismo e o perfeccionismo me acompanham no que eu faço. Sou poeta, escritor, ator, cantor. Sou também estudante e aprendiz, às vezes também professor. O resto são ocupações.

Onde mora?
Em São Paulo menos do que em mim mesmo.

Livros preferidos?
Por que é preciso preferir?

Uma frase?
"Poet’s love’s is this (as in these words I prove thee): / I love my love for thee more than I love thee."

Por que em inglês?
(risos irônicos) Está certo, se preferir: “A morte deveria ser assim: / um céu que pouco a pouco anoitecesse / e a gente nem soubesse que era o fim.”

Amor e morte estão presentes em seus escritos?
Diria que a metalinguagem e a filosofia o estão.

Uma cor?
Vinho.

Estação do ano?
Inverno, ou sempre que faz frio.

O que ouve?
De tudo. Em relação a músicas, sou eclético intolerante. Gosto de boa música.

Como conceituar “eclético intolerante” e “boa música”?
Começo pela boa música. A boa música é aquela que merece a dedicação de meus ouvidos e de meu tempo. Ser eclético intolerante é ouvir de tudo o que há de bom — sem preconceito —, mas ignorar radicalmente tudo quanto não merece a dedicação de meus ouvidos e de meu tempo.

Boa música é um conceito relativo?
Claro que é! Ou você é hegeliano o suficiente para acreditar que haja um belo absoluto? (risos)

Você tem um sonho?
Sim, e o realizo a cada dia. Todos os dias sonho ser escritor. Claro que tenho muitos outros.

Você costuma ter crises na sua criatividade?
Evidentemente. Isso é muito bom, pois volto os olhos para o que já produzi... e muito ruim, porque é um esgotamento sobre o qual eu não tenho controle.

Suas últimas palavras. Enforque-se na corda da liberdade:
Quereria que minhas palavras fossem um argumento de fato, de força... Assim, com elas, buscaria corrigir as crueldades do mundo. Mas como qualquer coisa que eu disser há de ser um argumento retórico, sem força de fato, me calo, com perplexidade, ante o concreto do mundo.

Permita-me uma última pergunta: como um escritor se cala?
Seus escritos são o produto de seu silêncio perplexo ante o mundo. Escrever é uma ação silenciosa neste mundo cheio de barulho e parco de ouvidos, embora possa produzir estrondos. Poesia e filosofia, arte e pensamento surgem e precisam deste silêncio e desta perplexidade.

Arquivo

Meu site



on-line


Blogs:

Alma em Punho
Betamania:
"Sede em Frente ao Mar"

Bruna Tinois:
"Lógica Quântica"

Casebre de Prata
Dequinh@
Ipsis Litteris
Ícaro Beranger:
"Um Dedo de Prosa Poética"

Literatus
Pensamentos e Histórias
O Profano sagrado
Solta no Mundo

Créditos:

Thakira
Blogger Brasil