C a s a d a s R o s a s
As paredes estão repletas, cheias

de palavras silentes e insuspeitas.
Esta poesia deve-lhes as meias
por extrair-lhes formas escorreitas.
Plurais estilos ornam meu poema,
desde aquele que me foge da memória
ao que sequer me serve como lema,
mas que escreve também a minha história.
Não suspeito se eu sinto ou se é miragem
o sabor que me sabe na linguagem
e me traceja assim: um ser que goza.
Mas eu sei que esta terra é bem fecunda...
Perdi-me no jardim que me circunda
e colhi desta casa a minha rosa.
- Virada Cultural 2007

Enforque-se na corda da liberdade!
P e r f i l
Eu, Teofilo Tostes Daniel (Theo para todos que quiserem), cheguei por aqui neste mundo no dia 22 de junho de 1979. Sou, assumidamente, do século passado, nascido no último ano dos lisérgicos anos 70.
Sou poeta há 16 anos. Escrevo desde os 11. Mas não me peçam pra ver escritos meus destas longínquas épocas, pois eles não existem mais. Minha obra acaba sendo o que sobrevive a mim. E muita coisa, asseguro, tem sobrevivido. Aos poucos, estou terminando meu terceiro livro de poemas, embora não tenha nenhum publicado ainda. Flerto com a prosa há algum tempo, o que faz incluir nos meus planos a escrita de um livro de contos, uns já escritos, outros ainda por vir.
Sou formado em produção editorial pela UFRJ e trabalho como assessor de comunicação na Procuradoria Regional da República em São Paulo. Tenho uma irmã linda, que é uma grande escritora: a Betinha (Roberta Tostes).
Minhas grandes paixões, além do ser humano, são suas criações artísticas e a história de suas idéias. Este ser complexo tem afinidades com a barbárie e com o sublime. No entanto, nada que é humano me escapa. E a compaixão, a partilha do passional, me aproxima de todos, bárbaros ou angélicos, embora nem a todos eu imite ou adote como modelo.
Embora seja poeta, a música é a minha maior forma de sentir o mundo. Simplesmente amo esta forma de arte, de todas a mais abstrata e a mais capacitada para traduzir a concretude do que sentem os homens.
(...)
A u t o - e n t r e v i s t a
Nome:
Teofilo Tostes Daniel.
Quando nasceu?
22 de junho de 1979, às 18:55, na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Câncer com lua em gêmeos e ascendente em capricórnio.
Acredita no zodíaco?
Não creio em bruxas, mas que elas existem...
O que faz?
Sou artista por vocação, curioso por natureza... O diletantismo e o perfeccionismo me acompanham no que eu faço. Sou poeta, escritor, ator, cantor. Sou também estudante e aprendiz, às vezes também professor. O resto são ocupações.
Onde mora?
Em São Paulo menos do que em mim mesmo.
Livros preferidos?
Por que é preciso preferir?
Uma frase?
"Poet’s love’s is this (as in these words I prove thee): / I love my love for thee more than I love thee."
Por que em inglês?
(risos irônicos) Está certo, se preferir: “A morte deveria ser assim: / um céu que pouco a pouco anoitecesse / e a gente nem soubesse que era o fim.”
Amor e morte estão presentes em seus escritos?
Diria que a metalinguagem e a filosofia o estão.
Uma cor?
Vinho.
Estação do ano?
Inverno, ou sempre que faz frio.
O que ouve?
De tudo. Em relação a músicas, sou eclético intolerante. Gosto de boa música.
Como conceituar “eclético intolerante” e “boa música”?
Começo pela boa música. A boa música é aquela que merece a dedicação de meus ouvidos e de meu tempo. Ser eclético intolerante é ouvir de tudo o que há de bom — sem preconceito —, mas ignorar radicalmente tudo quanto não merece a dedicação de meus ouvidos e de meu tempo.
Boa música é um conceito relativo?
Claro que é! Ou você é hegeliano o suficiente para acreditar que haja um belo absoluto? (risos)
Você tem um sonho?
Sim, e o realizo a cada dia. Todos os dias sonho ser escritor. Claro que tenho muitos outros.
Você costuma ter crises na sua criatividade?
Evidentemente. Isso é muito bom, pois volto os olhos para o que já produzi... e muito ruim, porque é um esgotamento sobre o qual eu não tenho controle.
Suas últimas palavras. Enforque-se na corda da liberdade:
Quereria que minhas palavras fossem um argumento de fato, de força... Assim, com elas, buscaria corrigir as crueldades do mundo. Mas como qualquer coisa que eu disser há de ser um argumento retórico, sem força de fato, me calo, com perplexidade, ante o concreto do mundo.
Permita-me uma última pergunta: como um escritor se cala?
Seus escritos são o produto de seu silêncio perplexo ante o mundo. Escrever é uma ação silenciosa neste mundo cheio de barulho e parco de ouvidos, embora possa produzir estrondos. Poesia e filosofia, arte e pensamento surgem e precisam deste silêncio e desta perplexidade.
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